domingo, 26 de junho de 2011

Linguística da Língua e Linguística da Fala

É sabido que Saussure faz exclusões, das quais iremos falar, uma delas é a exclusão daquilo que ele classifica como individual, da Fala.

O mestre genebrino dirá: "impõe-se sair do ato individual, que não é senão o embrião da linguagem, e abordar o fato social."(p.21). O estruturalismo compreenderá que a língua é uma cristalização social, algo que independe da vontade individual e que portanto possui regularidades que permitem sua sistematização, ao contrário da fala, que segundo Saussure "o lado executivo fica de fora, pois a sua execução jamais é feita pela massa; é sempre individual e dela o indivíduo é sempre senhor..."(p.21).

Essa exclusão impedirá que o estruturalismo veja o que depois Benvenistes vai chamar de "O aparelho formal da enunciação", ou seja, as regularidades que regem a fala, que dessa forma mostra-se ordenada e não um resultado do acaso e da vontade individual.

A partir das exclusões saussureanas a linguística do século XX irá se orientar, através da tentativa de diversos autores de inserirem no campo de estudo aquilo que foi deixado de lado pelo estruturalismo, por isso é justo dizer que é na falta, na lacuna deixada por saussure que a ciência, que hoje chamamos linguística, crescerá.