quarta-feira, 23 de março de 2011

Língua: instrumento criado e fornecido pela coletividade

Saussure adverte: "Para atribuir à língua o primeiro lugar no estudo da linguagem, pode-se, enfim, fazer valer o argumento de que a faculdade - natural ou não - de articular palavras não se exerce senão com ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade..."
Vejamos que após eleger a língua como o objeto da linguística, Saussure vai caracterizá-la. Dentre as muitas afirmações que faz, uma delas nos chama a atenção, a de que ela é um instrumento criado e fornecido pela coletividade, ou seja, a língua é um produto social.
Sabemos, é claro, que o estruturalismo toma a língua em sua imanência, e que discuti-la fora de seu sistema não é seu propósito, isso veremos ao falar das exclusões saussureanas, contudo não podemos, em hipótese alguma dizer que o estruturalismo ignora o papel do social na língua, pois dá a ele o papel de origem.
Nesse sentido lebramos da quarta parte do Cours, que fala-nos exatamente dessa variação dentro do sistema.
Dizer que a linguística não deveria se deter ao estudo do que era exterior à língua não e o mesmo que dizer que não há nada fora da língua.
Um sistema pode ser autonomo, mas suas peças advém de algum lugar.

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