domingo, 26 de junho de 2011

Linguística da Língua e Linguística da Fala

É sabido que Saussure faz exclusões, das quais iremos falar, uma delas é a exclusão daquilo que ele classifica como individual, da Fala.

O mestre genebrino dirá: "impõe-se sair do ato individual, que não é senão o embrião da linguagem, e abordar o fato social."(p.21). O estruturalismo compreenderá que a língua é uma cristalização social, algo que independe da vontade individual e que portanto possui regularidades que permitem sua sistematização, ao contrário da fala, que segundo Saussure "o lado executivo fica de fora, pois a sua execução jamais é feita pela massa; é sempre individual e dela o indivíduo é sempre senhor..."(p.21).

Essa exclusão impedirá que o estruturalismo veja o que depois Benvenistes vai chamar de "O aparelho formal da enunciação", ou seja, as regularidades que regem a fala, que dessa forma mostra-se ordenada e não um resultado do acaso e da vontade individual.

A partir das exclusões saussureanas a linguística do século XX irá se orientar, através da tentativa de diversos autores de inserirem no campo de estudo aquilo que foi deixado de lado pelo estruturalismo, por isso é justo dizer que é na falta, na lacuna deixada por saussure que a ciência, que hoje chamamos linguística, crescerá.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Língua: instrumento criado e fornecido pela coletividade

Saussure adverte: "Para atribuir à língua o primeiro lugar no estudo da linguagem, pode-se, enfim, fazer valer o argumento de que a faculdade - natural ou não - de articular palavras não se exerce senão com ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade..."
Vejamos que após eleger a língua como o objeto da linguística, Saussure vai caracterizá-la. Dentre as muitas afirmações que faz, uma delas nos chama a atenção, a de que ela é um instrumento criado e fornecido pela coletividade, ou seja, a língua é um produto social.
Sabemos, é claro, que o estruturalismo toma a língua em sua imanência, e que discuti-la fora de seu sistema não é seu propósito, isso veremos ao falar das exclusões saussureanas, contudo não podemos, em hipótese alguma dizer que o estruturalismo ignora o papel do social na língua, pois dá a ele o papel de origem.
Nesse sentido lebramos da quarta parte do Cours, que fala-nos exatamente dessa variação dentro do sistema.
Dizer que a linguística não deveria se deter ao estudo do que era exterior à língua não e o mesmo que dizer que não há nada fora da língua.
Um sistema pode ser autonomo, mas suas peças advém de algum lugar.

domingo, 13 de março de 2011

Questões de linguística geral

Começaremos hoje uma sequência de perguntas, que terão sua origem no Cours de Linguistique Générale, de Ferinand de Saussure, com o objetivo de revisitarmos os principais conceitos do Estruturalismo Linguístico e, ao mesmo tempo, situar muitas das ideias odiernas sobre os estudos da linguagem. Comecemos então por uma das principais, se não a principal, das perguntas:
Qual é o objeto, ao mesmo tempo integral e concreto, da linguística? (Saussure, p.15)
Obviamente, todo o estudante de linguística já sabe a resposta que Saussure deu a esta indagação, a saber a língua, contudo devemos, antes de encerrarmos nossa prosa, perceber o que o autor escreve no parágrafo abaixo:
"Bem longe de dizer que o objeto precede o ponto de vista, diríamos que é o ponto de vista que cria o objeto (...)"
Percebamos então que Saussure nos coloca uma questão epistemológica, pois não basta dizer que o estruturalismo escolheu a língua como objeto, que na sua opinião estaria predicado como integral e concreto, mas devemos entender o que o estruturalismo pensa ser a língua, como ele a concebe, como ele a representa.
Dessa forma poderemos facilmente fugir de equívocos.
Então à pergunta inicial, feita por Saussure, penso ser necessário, hoje, tendo em vista nossa pré-ciência do objeto saussureano, uma segunda: Sob que ponto de vista o estruturalismo escolheu a língua como objeto, ao mesmo tempo integral e concreto, da linguística?
Até a próxima.