terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sobre o ensino da nomenclatura gramatical

Caros colegas, os professores de língua portuguesa há anos são cobrados a respeito das capacidades comunicativa, ortográfica, interpretativa, literária e até intelectual de seus alunos, tudo por trabalharem com a linguagem, que é, sem dúvida, o principal meio de expressão cultural de nossa espécie. Podemos notar essa responsabilização através dos nomes que a disciplina recebeu ao longo dos anos: retórica e gramática, língua portuguesa, comunicação e expressão, etc. Na tentativa de responder às exigências da sociedade os docentes recorreram à gramática.

Todavia, ao recorrerem à gramática, cometeram um equívoco: apelaram não ao conhecimento gramatical, mas à nomenclatura gramatical. Saber gramática, entendida aqui como o conjunto de regularidades que norteiam a língua de uma comunidade de falantes, é essencial, e deve ser trabalhada na escola, com o intuito de que os educandos dominem não somente sua variante, mas que sejam capazes de transitarem entre variantes de maneira eficiente e eficaz. Infelizmente o que encontramos na maioria dos compêndios escolares, concursos e planos de aula refere-se à nomenclatura gramatical de uma das variantes, a normativa.

Se focarmos nosso trabalho, se elaborarmos nossos planos de aula pensando em quando vamos ensinar que a classe de palavras destinada a caracterizar chama-se adjetivo, então estaremos fadados a construção de não leitores.

A educação é algo social. Devemos pensar na vida de nossos educandos, sintonizando nossa práxis à vida social presente, e futura, daquelas pessoas que estão a nossa frente. O que eu estou ensinando servirá para a vida de meu aluno? Essa é a pergunta que deve nortear nossas aulas. Durante séculos as comunidades educaram sua prole pautadas nessa máxima, construindo assim uma educação significativa, mas após esse tempo de sucesso esquecemos a receita e conhecemos o "fracasso escolar".

Se queremos não só "ensinar" nossas crianças, mas "educá-las" devemos começar a valorizar mais o conhecimento gramatical. Isso não significa que nossos alunos não saberão mais o nome dos constituintes textuais, muito pelo contrário, os levará a um patamar onde os nomes terão significados, serão coerentes e ensinarão para a vida, não só para o vestibular. Defendo o ensino da nomenclatura no tempo certo, quando o educando já tenha dominado a leitura e sinta-se curioso e disposto a empreender essa jornada metalinguística.

Por isso digo-vos, colegas, ensinemos para a vida, pratiquemos em nossas salas uma aula de língua portuguesa que interligue o mundo da criança ao mundo da língua, priorizemos o entendimento prazeroso das sentenças e não a análise descontextualizada de uma frase absurda e então seremos e faremos pessoas plenamente felizes.

Um comentário:

  1. Ewerton,

    Sua fala diz tudo sobre a arte de educar. Que possamos ser portadores de saídas felizes para as crianças e jovens que se encontram num canto escuro da sociedade. Sejamos luz. Conhecimento e amor são nossas armas.
    Felicidade e sucesso no exercício de sua profissão.

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