quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Homenagem aos professores

"Educar é para poucos
(Minha Homenagem aos Confessores de Sonhos, conhecidos como professores)

Educar é um fato heróico em qualquer cultura.
Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança. Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro. Talvez por isso seja algo para poucos.
Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.
Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias. Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:
Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estímulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silêncio.
Professores batem as mãos na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos, educadores são Um.
O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas porque acredita que quem está a sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Esta é a razão de ser do educador. Esta é sua esperança. E para isso, o educador precisa ser inteiro, precisa ser completo, precisa estar em sintonia com o universo. Por isso é para poucos, mas não devia ser assim..."

Daniel Munduruku

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ATENÇÃO CURSISTAS DE "RESSIGNIFICANDO O ENSINO DE GRAMÁTICA"

Devido ao número muito pequeno de participantes no curso "Ressignificando o ensino de gramática", estamos cancelando as formações das segundas-feiras.
A carga horária já computada será certificada pelo CEFAPRO-TGA normalmente, de acordo com as listas de presença dos encontros.
Obrigado aos colegas que estiveram conosco.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sobre o ensino da nomenclatura gramatical

Caros colegas, os professores de língua portuguesa há anos são cobrados a respeito das capacidades comunicativa, ortográfica, interpretativa, literária e até intelectual de seus alunos, tudo por trabalharem com a linguagem, que é, sem dúvida, o principal meio de expressão cultural de nossa espécie. Podemos notar essa responsabilização através dos nomes que a disciplina recebeu ao longo dos anos: retórica e gramática, língua portuguesa, comunicação e expressão, etc. Na tentativa de responder às exigências da sociedade os docentes recorreram à gramática.

Todavia, ao recorrerem à gramática, cometeram um equívoco: apelaram não ao conhecimento gramatical, mas à nomenclatura gramatical. Saber gramática, entendida aqui como o conjunto de regularidades que norteiam a língua de uma comunidade de falantes, é essencial, e deve ser trabalhada na escola, com o intuito de que os educandos dominem não somente sua variante, mas que sejam capazes de transitarem entre variantes de maneira eficiente e eficaz. Infelizmente o que encontramos na maioria dos compêndios escolares, concursos e planos de aula refere-se à nomenclatura gramatical de uma das variantes, a normativa.

Se focarmos nosso trabalho, se elaborarmos nossos planos de aula pensando em quando vamos ensinar que a classe de palavras destinada a caracterizar chama-se adjetivo, então estaremos fadados a construção de não leitores.

A educação é algo social. Devemos pensar na vida de nossos educandos, sintonizando nossa práxis à vida social presente, e futura, daquelas pessoas que estão a nossa frente. O que eu estou ensinando servirá para a vida de meu aluno? Essa é a pergunta que deve nortear nossas aulas. Durante séculos as comunidades educaram sua prole pautadas nessa máxima, construindo assim uma educação significativa, mas após esse tempo de sucesso esquecemos a receita e conhecemos o "fracasso escolar".

Se queremos não só "ensinar" nossas crianças, mas "educá-las" devemos começar a valorizar mais o conhecimento gramatical. Isso não significa que nossos alunos não saberão mais o nome dos constituintes textuais, muito pelo contrário, os levará a um patamar onde os nomes terão significados, serão coerentes e ensinarão para a vida, não só para o vestibular. Defendo o ensino da nomenclatura no tempo certo, quando o educando já tenha dominado a leitura e sinta-se curioso e disposto a empreender essa jornada metalinguística.

Por isso digo-vos, colegas, ensinemos para a vida, pratiquemos em nossas salas uma aula de língua portuguesa que interligue o mundo da criança ao mundo da língua, priorizemos o entendimento prazeroso das sentenças e não a análise descontextualizada de uma frase absurda e então seremos e faremos pessoas plenamente felizes.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Gêneros...

Como esse assunto não sai da pauta de nossas discussões, passando a interessar não só os colegas da língua portuguesa, mas também os de outras áreas, e considerando que por questões burocráticas nem todos os professores de língua portuguesa estão participando do GESTAR II, disponibilizo abaixo o endereço da apresentação sobre Gêneros Textuais trabalhada no programa.
É interessante visitarmos essa temática em nossas discussões de Sala de Professor, pois ela poderá facilitar abordagens interdisciplinares, tão almejadas em nossos dias.
Um abraço.

http://www.slideshare.net/ewertongindri/gneros-textuais-1816094

Denise

No dia 7 de agosto estarei em Denise.
Não faremos formação por área dessa vez. Visitarei as escolas Joaquim e Sagrado para conversar com a coordenação pedagógica a respeito do Sala de Professor. Isso, entretanto, não será impeditivo para que troquemos ideias com os professores de Língua Portuguesa.
Levarei alguns materiais que considero úteis a nossa prática.
Um forte abraço e até amanhã.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Aviso

Aos participantes do curso de formação das segundas-feiras, período noturno, informo que pelo fato de que estarei ausente na semana que vem, e nos dias 20 e 21, não irei realizar nossos encontros no mês de agosto.
Retornaremos em setembro.

Prof. Ewerton Rezer Gindri

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lições com António Nóvoa

Olá colegas.
Estou em Cuiabá, em uma formação do CEFAPRO. Ontem tive o privilégio de escutar o professor Dr. António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa.
Nóvoa é hoje, sem qualquer dúvida, a maior referência mundial em formação de professores e não deixou a desejar em sua palestra. Embora eu tenha anotado várias páginas de questões que julguei esclarecedoras, não irei me deter, pelo menos agora, em comentários a respeito do tema, mas queria ressaltar um pouco da personalidade do professor.
Segundo a organização, o professor fez questão de visitar o ambiente antes, verificar a iluminação e o som, o que demonstra seu profissionalismo. Também durante sua fala, percebíamos que ele sabia exatamente o que iria abordar.
Durante toda sua preleção, mostrou-se humilde e completamente aberto a aprender com seus interlocutores, embora qualquer um de nós duvidasse disso.
Esse breve encontro deixou uma coisa muito clara para mim, e para todos os presentes: a sabedoria é uma virtude que se diferencia do conhecimento, mas o verdadeiro mestre é aquele que tendo a sabedoria, busca o conhecimento.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

HISTÓRIA EM QUADRINHOS: UMA ESTRATÉGIA DE LEITURA

O QUE É LEITURA?

"Oh, Bendito o que semeia / Livros... livros à mão cheia... / E manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma / É gérmen – que faz a palma, / É chuva – que faz o mar" Castro Alves



Ler não é somente decodificar palavras, mas saber identificar: odores, cores, sons, luzes etc. "Desde os nossos primeiros contatos com o mundo, percebemos o calor e o aconchego de um berço, diferentemente das mesmas sensações provocadas pelos braços carinhosos que nos alcançam".(MARTINS. 2006, p.11).

Na visão de Lajolo (1993, p.59) "ler é ser capaz de atribuir aos textos significados, relacionando-o a todos os outros textos. É perceber as inferências que o texto traz consigo, permitindo melhor esclarecimento para o leitor".

A leitura não pode ser confundida com decodificador de sinais. O ato de ler inicia-se quando o leitor, por meio de sua percepção, toma consciência dos documentos escritos existentes no mundo. De acordo com Silva (2000. p.95) "Ao buscar a intencionalidade, o sujeito abre-se para a possibilidade de significação, para proposições de mundo que os signos do documento evocam e sugerem".

Para compreender um texto, a partir das referências sugeridas pelos signos, o leitor busca situar diversas possibilidades de significação, interpretando, assim o texto. A leitura se manifesta como a experiência resultante do trajeto seguido pela consciência do sujeito em seu projeto de desvelamento.

Na acepção de Bordini (1988, p.16) "A tarefa da leitura consiste em escolher o significado mais apropriado para as palavras num conjunto limitado". Pois, embora as palavras sejam explicadas no dicionário, nunca exprimem um único significado

A leitura não pode ser algo forçado. Para que esse ato se torne um hábito, não deve ser imposto pelo professor de Língua Portuguesa, mas sim trabalhado com professores das diversas disciplinas escolares, discutindo sobre diversas áreas, podendo despertar o interesse do educando e posteriormente levá-lo ao gosto pela leitura. Essa deve ser exposta de modo agradável e no nível de conhecimento do aluno, pois ler o que não se compreende leva o discípulo a afastar-se da leitura. Dessa forma, na tentativa de buscar incentivo no ato de ler, o professor deve investir em novos métodos, não somente buscar os "clássicos da literatura", mas também apresentar aos alunos que uma história em quadrinhos é uma forma de leitura, e com ela, o docente pode tornar esse material um forte aliado no desafio aluno versus leitura.

As Histórias em Quadrinhos são as mais eficientes alianças da literatura com as artes visuais. É impossível achar alguma forma de mídia que transmita com tanta elegância, versatilidade e fidelidade tanto as nuances das artes visuais, que sempre marcaram os observadores pela capacidade de transmitir inúmeros detalhes e idéias através da visualização, quanto à sutileza e a força da literatura, que de uma forma lenta e gradual gera infinitos pensamentos e reflexões ao leitor. Enfim, as histórias em quadrinhos, ou HQs, são uma forma de arte com toda certeza. É claro que existem as aberrações, usadas única e exclusivamente para gerar lucros, mas isso também existe na pintura, na música, no cinemae nenhuma dessas formas foi descaracterizada como arte.

A História em Quadrinho é algo remoto, pois desde a Pré História, os homens retratavam suas experiências de caçadas nas paredes das cavernas, o que não deixa de ser uma história em quadrinhos, uma seqüência lógica de desenhos. A HQ teve seu desenvolvimento baseado nas necessidades humanas. Desta forma, se o público muda, a literatura também deve mudar para agradá-lo. Os quadrinhos, enquanto artes, são uma evolução natural da arte seqüencial como, tendo tomado para si características e funções, exatamente como o cinema fez com a pintura.

Nely Novaes Coelho, em sua obra "A literatura Infantil", afirma que as histórias em quadrinhos são tão válidas quanto os livros de figuras como processo de leitura acessível às crianças pequenas. Desta forma, ela destaca que, psicólogos, como por exemplo, Claparède acreditam que as crianças ao lerem as histórias em quadrinhos não somente se divertem com também satisfazem uma necessidade interior e instintiva, à necessidade do crescimento mental, inerente ao ser em desenvolvimento.

Por ter uma linguagem simples e imagens coloridas, os quadrinhos atraem as crianças e jovens com mais facilidade e com seu processo de comunicação, atende com mais destreza à sua própria predisposição psicológica.

É importante ressaltar que a preocupação com o estudo da criança é bastante recente. Foi a partir do século XVII que a Igreja afasta a criança de assuntos ligados ao sexo, apontando as inadequações que estas vivências traziam à formação do caráter e da moral do indivíduo. Dessa forma, passaram a construir escolas onde se preocupavam com a leitura, escrita aritmética etc, pois séculos anteriores as crianças eram tratadas como pequenos adultos. Com esse retrocesso pela história do desenvolvimento, pode-se pensar que esse fator foi um grande passo para o surgimento e expansão das histórias em quadrinhos.

Essa linguagem mais simples que os quadrinhos oferecem, estimula o hábito da leitura, pois ninguém gosta de ler o que não entende. E é desta forma que o gibi, nome popular das HQs, pode incentivar no processo de amadurecimento intelectual. Na escola mais tradicional, o que os professores de Língua Portuguesa faziam era obrigar o aluno a ler sem ter ao menos um conhecimento prévio de sua leitura, contraditoriamente, o que era para se tornar um hábito virou o desprezo de muitos alunos.

Muitos críticos censuram a utilização de HQs em salas de aula, argumentam que os gibis desestimulam a leitura de livros e contribuem para a formação de adultos que não gostam de ler. VERGUEIRO (2004,p.20) discorda desta afirmação: "muitas pesquisas apontam que crianças que começam a ler com os quadrinhos têm mais facilidade para ler outros livros e procuram outras fontes de informação".

As vantagens na utilização desde tipo de recurso didático são o baixo custo de aquisição dos gibis, a fácil localização deste material e a familiarização dos estudantes com este meio de comunicação. A combinação de imagens, onomatopéias e texto atraem a atenção dos estudantes e estimulam o estudo e o conhecimento.

Ao contrário do que muitos pensam, não existem histórias em quadrinhos apenas infantis, há também histórias voltadas para o público adulto, mais intelectualizado e se destaca pela qualidade dos textos e dos desenhos. Histórias relacionadas ao sexo, política e os fatores sociais, como por exemplo, as revistas do Mad.

Compreender os tipos de HQs e seus gêneros é essencial para a boa utilização desse recurso na sala de aula. É preciso selecioná-las de acordo com a faixa etária dos alunos.

A utilização dos quadrinhos deve ocorrer em consonância com os livros didáticos, sendo que um não implica na extinção do outro. O ideal, segundo VERGUEIRO, é que gibis sejam apresentados a alunos de todas as faixas etárias durante o período escolar. Num primeiro momento, para o público infantil,as historias , como por exemplo A turma da Mônica, Zé Carioca, que as crianças procuram mesmo sem saber ler, serviriam para estimular o hábito de leitura e o interesse pela escola, trabalhando com os recursos utilizados pelas HQs, tais como, balões, onomatopéias e expressões faciais das personagens, com isso o aluno consegue identificar a reação das mesmas tornando-se mais perceptivo na leitura.

Já com alunos mais velhos, o ideal seria utilizar as HQs como suporte e exemplificação de temas específicos das aulas, como uma discussão sobre costumes de época ou sobre variações da linguagem, por exemplo. Trabalhar assuntos como a linguagem e as diferentes variedades lingüística, como por exemplo, as histórias do Chico Bento, menino da roça que fala errado, e que tem costumes diferentes dos da cidade, abordar a questão gramatical, como poderíamos escrever tal frase mencionada pelo personagem de forma correta, ou Cebolinha, menino da cidade que troca R pelo L, ambos personagens de Mauricio de Souza.. Também é viável fazer uma análise sintática das frases dos personagens, trabalhando com os verbos e suas funções, seu uso adequado. Introduzir aulas com quadrinhos que abordem temas transversais, de interesse de todos, como drogas, sexualidade e amor. Tudo isso pode ser utilizado nas aulas de Língua Portuguesa, não que o professor se afaste das gramáticas propriamente ditas, mas que possa utilizar os quadrinhos como uma forma mais atrativa do uso da linguagem estudada.

As HQs podem ser aproveitadas por todas as disciplinas, por exemplo, nas aulas de Artes, o professor pode incentivar os alunos a analisar a linguagem dos quadrinhos (balões, quadros, onomatopéias) e a brincar com ela, realizando suas próprias histórias. A metalinguagem que pode ser percebida, por exemplo, nas histórias em que o Cascão sobe no balão para fugir da água, pode dar origem a discussões ou à produção de histórias que utilizem esses recursos. Para aulas de Matemática, os alunos podem ser incentivados a criar histórias com personagens baseados em operações matemáticas ou que se envolvam em tramas cuja solução envolva problemas matemáticos.

Nas aulas de Ciências temas sobre puberdade, primeiros socorros, são um exemplo, é claro que as HQs não se atentem às nomenclaturas especificas, mas pode-se trabalhar o tema mais superficial para depois adentrar em suas especificidades.Para as aulas de geografia e história

Desenvolver reflexões mais críticas, com histórias mais elaboradas, como as charges e tiras do Hagar,um viking preguiçoso e tonto,ou da Mafalda, uma menina esperta e muito crítica para sua idade, por exemplo, que fazem com o aluno tenha que ter um conhecimento de mundo para poder compreende-los melhor

A constatação de que o uso das HQs funciona de forma positiva, tanto para crianças quanto para adolescentes, ajuda a derrubar uma série de preconceitos que vigoraram, em certa medida, até o final da década de 70, no Brasil, e em algumas partes do mundo. Vistas com reservas e sob o argumento de que afastavam os estudantes do hábito da leitura, foram mais valorizadas a partir da década de 80, em que os livros didáticos buscavam linguagens menos formais. Tanto que estão incluídas na Lei de Diretrizes e Bases e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)

O que se espera após uma abordagem como essa é mostrar para todos os educadores, seja das séries iniciais, ensino fundamental ou médio, que os gibis, cujo nome é mais conhecido, são grandes aliados na sala de aula, seja para demonstração das letras, como na alfabetização, como também uma interpretação mais profunda a partir das expressões faciais ou da linguagem dos balões feita pelos personagens, e não somente usados em Língua Portuguesa mas também em História, Geografia, trabalhando o momento histórico e o cenário geográfico entre outros, pois o ato de ler não é tarefa só do professor de Língua Portuguesa, mas de todos os educadores.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BORDINI, Maria e AGUIAR, Vera Teixeira de. A formação do leitor. Porto Alegre:.Mercado Aberto, 1993

COELHO, Noeli Novaes. Literatura infantil: teoria e análise didática. São Paulo: Moderna,2000

LAJOLO,Maria. Do mundo da leitura para a leitura de mundo. São Paulo: Ática, 1993

MARTINS. Maria Helena, O que é leitura?. São Paulo: Brasiliense, 2006

RAMOS. Âgela e VERGUEIRO. Valdomiro, Como usar Quadrinhos na sala de aula.São Paulo. Contexto 2004

RAPPAPORT, Clara. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo: EPU,1981

SILVA, Ezequiel Theodoro. O ato de ler. São Paulo: Cortez, 2000


Fonte: Webartigos.com | Textos e artigos gratuitos, conteúdo livre para reprodução. 1

Sobre o ensino de língua portuguesa

Na árdua tarefa de trabalharmos a língua portuguesa na escola, um dos maiores e primeiros obstáculos a serem vencidos é tornar significativas aos alunos, falantes nativos da língua, nossas aulas. Historicamente o ensino de língua portuguesa nas escolas é recente, até meados do século XIX ensinava-se latim. Contudo, ao introduzirem-se as aulas de língua nacional, usou-se a mesma estrutura analítica do latim, e as mesmas técnicas para o ensino.
A nomenclatura adaptou-se à latina, quando essa não tinha paralelo, inventava-se um novo termo, coisa que resultou em uma verdadeira Babel gramatical, somente resolvida com a publicação da NGB, em 1959, válida até hoje.
Durante anos o ensino de língua materna na escola foi de natureza metalinguística. Atividades taxonômicas eram aplicadas em quase todas as aulas, e caso houvesse o erro na classificação dizia-se que o aluno “não aprendeu português”. Essa frase internalizou-se em mais de uma geração e chegamos ao absurdo de, em um país lusófono, dizermos que não sabemos português. A autoestima linguística do brasileiro nunca esteve tão baixa. Não só a línguística, mas também a cultural, pois durante o regime militar houve uma explicita campanha de desvalorização da cultura nacional, nesse sentido poderíamos citar a adjetivação pejorativa de nosso cinema, “pornochanchada”, da qual só nos libertaríamos na década de 1990. É também nessa década que o ensino de língua portuguesa passa por revisão, e vários linguístas, que desde a década de oitenta denunciavam os problemas de sala de aula, como Perini, Possenti e Ilari, se popularizam.
A significância de um conteúdo relaciona-se diretamente com sua aplicabilidade na vida diária e, no tocante a isso, a metalinguagem é desprovida de qualquer significado.
O ensino de língua portuguesa deverá então, prever o uso dos saberes em situações reais, por isso não devemos culpar os alunos por nos perguntarem para que serve uma classificação sintática, muito menos dizer-lhes que é importante pois será exigida em concursos, uma vez que a escola não deve formar candidatos a concursos, mas cidadãos.
Acredito que a primeira coisa que o professor de língua portuguesa deve fazer, ao se dispor a repensar sua prática, é perguntar-se: o que eu estou ensinando aos meus alunos os capacitará a uma vivência crítica e autônoma em sociedade? A resposta deve ser sincera, pois dependerá dela o sucesso da educação.
Sucesso a todos nós, e boa semana.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Leitura e Produção Textual

Nas formações de Denise e Fazenda Ita-Norte, abordamos o tema Leitura e Produção Textual. Nesses encontros usamos a apresentação publicada no slideshare, no seguinte endereço:
www.slideshare.net/ewertongindri/leitura-e-produo-textual

Copie o link e cole em sua barra de endereço.

Bons estudos.

Ressignificando o ensino de gramática através da pesquisa escolar

Iniciamos, em maio, um curso de formação continuada para professores da rede pública de ensino de Tangará da Serra, através do CEFAPRO, com o intuito de discutirmos as concepções de ensino de gramática ora vigentes e, principalmente, construir alternativas.
Os encontros estão ocorrendo às segundas-feiras, às 19:00h, e nos primeiros encontros lembramos os caminhos que a língua portuguesa, enquanto disciplina escolar, teve que percorrer. Logo abaixo, está o link do texto usado no último encontro, no qual pode-se ter um vislumbre do que foi o ensino de língua materna, no Brasil, durante o século XX.

http://www.filologia.org.br/vicnlf/anais/caderno06-05.html

Polifonia

O conceito de polifonia, dentro do campo da linguística, associa-se ao nome de M. Bakhtin e à ideia de heterogeneidade enunciativa, prevendo a presença de vários enunciadores em um mesmo texto. É exatamente isso que esperamos proporcionar com a criação desse blog, a troca de experiências e concepções com os colegas educadores com os quais tivermos o privilégio de nos relacionar, seja em nossos encontros de formação, no CEFAPRO, ou no universo virtual.
Neste blog serão postados textos e links que nos ajudem a melhorar a práxis pedagógica. Mas a melhoria não será fruto dessas leituras, virão, sim, das discussões por elas fomentadas, por isso esperamos receber comentários sobre as postagens e sugestões para as próximas.